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sábado, 19 de março de 2011

Depois de Rebecca Black, Ark Music promete fabricar mais bonecas musicais


Qualquer mãe ou pai coruja gosta de exibir os talentos do filho pequeno, mostrando para todos os parentes a coreografia engraçada ou a canção fofa da criança.
Em alguns casos, o orgulho da família vai mais longe. A mãe de Justin Bieber postou no YouTube vídeos do garoto tocando para que familiares em outras cidades pudessem vê-lo. A partir disso, o garoto foi descoberto pelo empresário Scooter Braun, lançou três álbuns e hoje domina as paradas musicais dos EUA.
No caso da garota Rebecca Black, de apenas 13 anos, o resultado foram milhões de views no YouTube, muitos xingamentos, paródias e a oportunidade perfeita para a projeção de uma gravadora especializada em transformar pais corujas em mecenas dos próprios filhos.
O primeiro vídeo de Rebecca, intitulado Friday, se transformou imediatamente em viral na web pelo refrão grudento e pelo uso exagerado de auto-tune. Já ganhou diversas paródias. Na música, ela fala sobre a ansiedade pela chegada do fim de semana e canta "fun fun fun" sorrindo para a câmera.


ARK MUSIC FACTORY

O vídeo de Rebecca Black já teve mais de 12 milhões de views e a garota não sai dos Trending Topics do Twitter há dias. E quem ganha com isso? A Ark Music Factory, produtora que virou uma "fábrica" de hits instantâneos. Seu objetivo maior é encontrar o novo Justin Bieber.
Comandada pelos americanos Patrice Wilson e Clarence Jey, a gravadora não vai atrás dos artistas que quer - são eles, ou melhor, os pais, que procuram (e pagam) a Ark para transformar seus filhos em estrelas da música pop. A gravadora é especializada em artistas de 8 a 17 anos, e seu catálogo parece o de uma fábrica de bonecas: diversas garotas de expressão semelhante transformadas em hits instantâneos por meio do uso exaustivo de auto-tune e investimento pesado na web.
No site da Ark Music, várias outras garotas esperam pela oportunidade de emplacar um hit. As vozes são quase todas iguais (mesmo algumas tendo 8 anos e outras 16), e a temática alterna entre paixão por algum garoto, relacionamentos na web, amigos, escola e diversão. Uma das garotas, CJ Fam, tem apenas oito anos - e lembra as crianças super produzidas pelas mães que povoam concursos de beleza norte-americanos (do tipo mostrado no filme A Pequena Miss Sunshine).


Com uma quantidade crescente de artistas mirins financiados pelos pais (que pagam todos os custos de produção das crianças) e fidelidade máxima à estética American Idol (fazer careta e malabarismos vocais), a Ark Music Factory está faturando pelas beiradas. E pode muito bem vir a emplacar várias Rebeccas Black. É como se a Motown fosse conduzida por Simon Cowell.


AUTENTICIDADE

Com o sucesso do vídeo de Friday, Rebecca Black foi atacada no Twitter e em outras redes sociais pela obviedade da letra ("ontem foi quinta, hoje é sexta"): os xingamentos variavam entre "o pior vídeo do mundo" e "uma das vozes mais irritantes da história". Em geral, a principal reclamação é a mesma que sempre persegue artistas que usam muito auto-tune: você sabe cantar mesmo ou é só truque de estúdio?


Em entrevista para o programa Good Morning America, Rebecca Black tentou acabar com essa dúvida cantando ao vivo um trecho de Friday (outro vídeo completo da cantora cantando sem ajuda de auto-tune já foi divulgado; assista acima).
Mas o verdadeiro destaque da entrevista é a mãe de Rebecca, que afirmou que "poderia muito bem ter matado" várias pessoas que xingaram a filha na web. Pelo jeito, nem toda a grana que a família investiu na Ark Music Factory protegeu Rebecca de ser "trollada" pelo público. Fora do círculo de corujice e tietagem da família, ser artista é mais difícil do que parece


Fonte: Vírgula

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